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“DISLEXIA:UM ESTUDO REFLEXIVO NOS DIAS ATUAIS”

Trabalho enviado por: Marinha Pereira Jubrael

Data: 27/08/2010

FACULDADE SÃO GERALDO
MARINHA PEREIRA JUBRAEL
VERA LÚCIA REINDEL DUTRA
DISLEXIA: UM ESTUDO REFLEXIVO
NOS DIAS ATUAIS
CARIACICA - ES
DEZEMBRO 2007

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
I CONCEITUANDO DISLEXIA
1.1 ANTECEDENTES DA DISLEXIA
1.2 ALGUNS DOS SINTOMAS MAIS FREQUENTES DA DISLEXIA
II DIAGNÓSTICO DE CRIANÇAS DISLEXAS
2.1 DEFININDO O DIAGNÓSTICO
2.2 A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO
2.3 AVALIAÇÃO DO DIAGNÓSTICO.
2.4 VERDADES E MENTIRAS A RESPEITO DA DISLEXIA
2.5 O EXAME DO DISLEXO
III INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA EM CRIANÇAS DISLEXAS
3.1 NA ESCOLA
3.2 NA FAMÍLIA
3.3 COM O ALUNO
3.4 UMA PALAVRA FINAL SOBRE DISLEXIA
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS:

INTRODUÇÃO

A dislexia é uma dificuldade ou distúrbio de aprendizagem e linguagem, não sendo necessariamente todos os problemas de aprendizagem detectados como dislexia, pois existem vários outros fatores que interferem.
Apresenta como questões de estudo verificar e ajudar a descobrir maneiras, ou método pela qual o disléxico possa se desenvolver, ajudando aos educadores e familiares a compreender em que a dislexia é um problema, buscando compreender e encontrar formas eficazes de se trabalhar.
Assim esse trabalho apresenta como objetivo compreender à dislexia, para que ela seja corretamente diagnosticada por profissionais especializados e comprometidos, e verificar a importância do professor, quanto a sua atuação, sendo imprescindível o conhecimento do assunto Dislexia
Com ajuda de especialistas e profissionais é possível desenvolver as capacidades, levando o disléxico a se desenvolver melhor sem discriminações e preconceitos.
Assim, aguçou-nos o interesse de se trabalhar com o assunto dislexia, pois, como se pode observar muitas crianças são reprovadas nas séries iniciais do ensino fundamental, sem ter o acompanhamento de profissionais qualificados, e muitas das vezes sem saber qual é a causa de tanta repetência. Não podendo deixar de falar na grande falta de conhecimentos e divulgação que o assunto dislexia trás.
O professor deve identificar a dislexia e ter clareza para melhor trabalhar, assim conseguindo resultados desejáveis e abrindo portas para se enfrentá-la com maior segurança e confiança.
Desta forma realizaremos uma pesquisa bibliográfica com a finalidade de encontrar respostas para esse problema. Para tanto foram mapeados os autores Condemarim (1989), Inahez e Nico (2003), Wallon (1927), Frank (2003),Gorman (2003) entre outros deram o suporete teórico necessário a pesquisa.
Assim a pesquisa foi desenvolvida em capítulos para uma melhor compreensão do tema abordado. No 1º capítulo, Conceituando Dislexia, procurou-se entender, dar e conhecer os conceitos básicos dessa dificuldade e verificar sintomas mais freqüentes da mesma .
No 2º capítulo, Diagnóstico de Crianças Disléxicas, apresenta a base para identificação do diagnóstico e a avaliação necessária para verificar o nível de dificuldade que o indivíduo se envolve.
No 3º capítulo, Intervenção Psicopedagógica em Crianças Disléxicas, destaca as atividades que podem ser desenvolvidas junto a escola, família e com a criança com dislexia, identificando a importância de tais intervenções para amenizar essa dificuldade, e ainda qual o método mais adequado para as séries inicias do ensino fundamental.

I CONCEITUANDO DISLEXIA

Levando em consideração os estudos da ABD, International Dislexia Association (1994) ou seja, a Associação Internacional de dislexia, pressupõe que, a dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. Um distúrbio específico de linguagem, de origem constitucional, caracterizado pela dificuldade em decodificar palavra simples. No qual o dicionário michales-uol (acesso em 27 de agosto, 2007), define o distúrbio como: perturbação, agitação, desordem, motim, traquinice, transtorno, confusão, rebuliço, alteração.
Segundo Ross Alanoto (1979), distúrbio é uma discrepância demonstrável entre o potencial teórico estimado e o desempenho teórico real, distúrbios que variam de brandos a severos e que são associados a desvios de função do sistema nervoso central, onde se manifestam por diversas combinações de deficiências na percepção, conceitualização, linguagem e controle de atenção, de impulso ou função motora.
Demonstra uma insuficiência no processo fonológico, e essa dificuldade na decodificação de palavras simples não são esperadas em relação à idade. A criança falha no processo de aquisição da linguagem com freqüência, incluindo os problemas de leitura, aquisição e capacidade de escrever e soletrar mesmo apresentando inteligência adequada, instrução adequada, oportunidade sociocultural e ausência de distúrbios cognitivos e sensoriais fundamentais.
Também apresenta uma história de atraso na aquisição e uso da linguagem falada. Por apresentar muitas formas e variados sintomas que se combinam de modos diferentes em cada indivíduo, pois quando se fala em dislexia, observa-se que é de uma dificuldade mais facilmente descrita do que denominada.
A etimologia da palavra segundo Ianhez e Nico (2002) se apresenta como: dis = distúrbio, dificuldade, lexia = leitura ( do latim) e/ou linguagem (do grego) e dislexia = distúrbio de linguagem.
Esse termo foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e escrita. Isso não implica dizer que qualquer sinal de dificuldade nesta área, possa identificar um indivíduo com dislexia, são vários os sintomas que podem intervir no processo da aquisição da linguagem, assim se torna imprescindível um diagnóstico preciso, multidisciplinar e de exclusão ou seja, durante a realização de testes, feito por um profissional, este irá descartar ou confirmar a suspeita da dislexia, e assim a avaliação prossegue, isto é, vai se excluindo possibilidades.
Há suspeitas de um quadro de dislexia, ou quadro de risco, mesmo se o indivíduo estiver inteligência adequada bem como oportunidades de ensino e aprendizagem, prevê que se o indivíduo apresenta alguns dos sintomas citados anteriormente é possível que seja dislexo. Esses sintomas podem se manifestar de forma combinada e, ainda se combinarem de diferentes modos em cada disléxico.
Segundo Frank, (2003) dislexia é um problema neurológico relacionado à linguagem e à leitura. As habilidades de escrita, de palavras e de textos, de audição, de fala e de memória também podem sofrer impactos.
Um enorme número de pessoas acredita erroneamente que dislexia seja simplesmente uma questão de espelhar números ou ter dificuldade para ler; ela é muito mais complexa e extensa do que isso. Traz dificuldades na escrita, nas relações espaciais, nas direções, na administração do tempo, na lembrança de palavras e na memória.
Dentre todos os desafios que as pessoas com dislexia enfrentam, os problemas com o processo da linguagem incluindo ortografia e escrita- são os mais facilmente reconhecidos.
Muitas vezes, os disléxicos têm dificuldade em processar palavras. Esse exercício mostra como é ter de pensar em cada palavra que se fala e como é ter de falar com mais lentidão. Todas as pessoas com dislexia apresentam certa dificuldade com a linguagem, mas o que isso significa de criança para criança pode variar muito.
Embora a dislexia afete a capacidade da criança ler, escrever, compreender a linguagem ou expressar-se claramente enquanto escreve ou fala, ela não é devida à falta de inteligência.
Frank (2003) afirma que a maioria dos indivíduos disléxicos possui inteligência igual ou superior à media. Infelizmente, os problemas de uma criança com capacidade de aprender e de processar, de reter, de obter e de expressar informações podem resultar na impressão errônea de que a criança não é esperta.
Qualquer pessoa, de qualquer etnia ou classe socioeconômica e de ambos os sexos pode vir a ter dislexia. Não há meios de predizer se determinada criança vai ter dislexia. Contudo, se alguém na família tiver dislexia, os filhos terão maiores chances de vir a manifestá-la do que uma criança que não apresente essa condição. Pode haver uma ligação genética na família, mas um pai com dislexia não vai necessariamente ter um filho com dislexia.
O medo da descoberta é talvez o elemento mais significativo para a criança com dislexia, que se vê em situações nas quais as pessoas à sua volta não sabem de seu problema; então pode decidir mantê-lo oculto porque se sente envergonhada, embaraçada ou anormal. Ela pose sentir que a única solução é evitar situações em que possa ser descoberta.
Frank (2003), alerta que muitas crianças, ou mesmo muitos adultos, temem que, uma vez que seu transtorno se torne público, não consigam fazer o que esperavam ou acreditavam que pudessem. A carga emocional que o medo causa pode ser esmagadora e é por isso que é tão importante enfrentar com a criança disléxica, ajudando-a a encontrar maneiras de superar seu transtorno.
A melhor maneira de lidar com o problema é explicar com clareza o que é dislexia e o que ela acarreta, usando palavras simples para descrever como a dislexia se manifesta mais comumente, bem como dar à criança com dislexia palavras que ela consiga compreender colaborando, assim para que ela se sinta mais confortável com seu estilo exclusivo de aprendizagem.
O terror de errar que toda criança sente é ampliado na criança com dislexia, porque o erro foi cometido com alguma coisa que para os outros é simples e básico, que uma criança da pré-escola deveria saber. Enquanto todas as crianças erram e geralmente superam seus erros, a vergonha recorrente da criança disléxica pode fazê-la desistir de ir atrás de coisas que quer fazer.
Crianças com dislexia tendem a se sentirem nervosas algumas vezes; não há como evitar esse sentimento por completo, mas existem maneiras de redirecioná-lo. O primeiro passo é lembrá-la das coisas que ela faz bem. Quanto mais os atributos e talentos forem enfatizados, mais o indivíduo vai se concentrar em seus pontos fortes ao invés dos fracos; O segundo passo é encontrar um espaço adequado para que se possa expressar sua raiva. A chave é encontrar uma atividade em que possa se sair bem, e isso exige pesquisa, além de tentativas e erros. Um lugar onde possa se sobressair vai lhe dar a certeza de que, embora não consiga ler ou escrever com a mesma facilidade dos outros, tem seus talentos específicos, o que é essencial.
A melhor maneira de dar apoio às crianças com dislexia é estar presente e ser paciente com seus sentimentos. Negar que ela vai vivenciar essas emoções de vez em quando ou dizer a ela para não se sentir assim é inútil. Deixar que ela saiba que não é errado se sentir assim, mas sempre garanta que você vai ajudá-lo a encontrar formas de lidar com a dislexia.
Uma criança com dislexia vivencia seus efeitos vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. È uma questão para a vida toda da criança, a qual, geralmente, pergunta: Por que não posso ser normal? Por que isso sempre acontece comigo?. Mesmo quando tem idade suficiente para entender seu problema e para utilizar as estratégias de cópia, ainda é difícil não se sentir inferior ou diferente dos outros, que parecem realizar todas coisas com tanta facilidade.
Muitas crianças e adultos com dislexia têm dificuldades com a lembrança de palavras. A informação é armazenada no cérebro, mas a recuperação apresenta um problema, e esse tempo que leva para lembrar uma simples palavra pode ser extremamente frustrante. A frustração e a tensão se elevam à medida que a criança percebe que está perdendo outras atividades porque uma tarefa comum toma muito tempo.
Para Frank (2003) não há estratégia mais importante do que acreditar na criança com dislexia e mostrar abertamente essa fé. Não importa de for um pai, avô, professor, orientador, diretor ou amigo, toda criança com dislexia precisa de alguém que acredite que ela é capaz e de alguém que lhe dedique mais tempo em ajudá-la para que isso aconteça.
O autor citado conclui que, o correto é oferecer quantas estratégias e ferramentas forem possíveis para que a criança com dislexia consiga realizar as tarefas independentemente. Às vezes, elas poderão surpreender, mas as adversidades podem inspirar força. Muitas crianças e adultos com dislexia vêem seu transtorno apenas como mais um desafio a ser vencido. Uma vez que a criança decide assumir o problema da dislexia, ela pode exibir determinação e força incríveis. Outras podem não encarar essa adversidade na vida e estar despreparada para isso.
Segundo estudos de Condemarin (1989), a dislexia pode ser específica ou dislexia de evolução. É um conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal ou parietal occipital, geralmente hereditária, ou às vezes adquirida, que afeta a aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do sintoma leve ao severo.
A dislexia é freqüentemente acompanhada de transtornos na aprendizagem da escrita, ortografia, gramática e redação.
A dislexia afeta os meninos numa proporção maior que as meninas.
O termo dislexia é aplicável a uma situação na qual a criança é incapaz de ler com a mesma facilidade com a qual lêem seus iguais, apesar de possuir uma inteligência normal, saúde e órgão sensoriais intactos liberdade emocional, motivação e incentivos normais, bem como instrução adequada.
A dificuldade para ler persiste até a idade adulta, os erros na leitura e na escrita são de natureza peculiar e específica, existe uma incidência familiar de tipo hereditário da síndrome, a dificuldade se associa também de outros símbolos e este modelo pode ser útil para detectar um leitor deficiente em função de uma dislexia específica.

1.1 ANTECEDENTES DA DISLEXIA

A existência de um familiar próximo que apresente ou tenha apresentado problemas de linguagem ou dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita, dificuldades no parto: anoxia, hipermaturidade, prematuridade do tempo ou peso, doença infecto-contagiosa que tenha produzido no sujeito um período febril, com vômitos, convulsões ou perda de consciência, atraso na aquisição da linguagem ou perturbações na articulação, atraso na locomoção, problemas de dominância lateral são manifestações de indivíduos disléxicos.
Os antecedentes raras vezes se apresentam em sua totalidade na história de um disléxico, entretanto, basta a presença de um ou mais para levar à suspeita de uma possível disfunção neurológica. A característica mais marcante do disléxico, ou seja seu sintoma mais notório, é a acumulação e persistência de seus erros ao ler e escrever.
A análise quantitativa da leitura oral de um disléxico revelará alguma ou várias das seguintes dificuldades: Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia; a - o; c-o; e-c; f-t; h-n; m-n; v -u; etc., confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d; p-q; d-p; d-b; d-q; n-u; w-m;a e,confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x; c-g; m-b; m-b-p; v-f, inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me - em; sol tos; som mos; sol tas; pal pla, substituição de palavras por outras de estrutura mais ou menos similar ou criação de palavras, porém com diferentes significado: soltou / salvou; era / ficava, contaminações de sons, adições ou omissões de sons, sílabas ou palavras: famoso substituído por fama; casa por casaco, repetições de sílabas ou frases, pular uma linha, retroceder para linha anterior e perder a linha ao ler,excessivas fixações do olho na linha, soletração defeituosa: reconhece letras isoladamente, porém sem poder organizar a palavra com um todo, ou então lê a palavra sílaba por sílaba, ou ainda lê o texto palavra por palavra, problemas de compreensão, leitura e escrita em espelho em casos excepcionais e ilegibilidade.
Em geral, as dificuldades do disléxico no reconhecimento das palavras obrigam-no a realizar uma leitura hiperanalítica e decifratória. Como dedica seu esforço à tarefa de decifrar o material, diminuem significativamente a velocidade e a compreensão necessária para a leitura normal. Alguns disléxicos apresentam dificuldades para lembrança imediata. Outros, dificuldade para lembrar fatos passados, enquanto que, outros apresentam muita dificuldade para memorizar visualmente os objetos, palavras ou letras.
Freqüentemente o disléxico apresenta dificuldades para aprender séries, os dias da semana, meses do ano, o alfabeto, custa aprender ver as horas, tem dificuldade de relacionar um acontecimento com outro no tempo, pois não consegue aprender o significado de seqüência e tempo. Os disléxicos são incapazes de orientar-se com propriedade no espaço e aprender a noção de direita e esquerda. Tem freqüentes dificuldades para situar-se com relação ao mapas, globos terrestres e em seu próprio ambiente
O disléxico não sendo severamente disgráfico, consegue copiar, porém quando escreve um ditado e na escrita espontânea revela sérias complicações e ainda apresenta disgrafia que é uma dificuldade para escrever ou desenhar as letras, os sinais ou conjuntos gráficos num espaço determinado. O disléxico pode ser capaz de automatizar os aspectos operatórios, porém apresenta dificuldades para aplicá-los na solução de problemas reais. Eles invertem os números ou então sua seqüência.

1.2 ALGUNS DOS SINTOMAS MAIS FREQUENTES DA DISLEXIA

Segundo Frank, (2003) os sintomas mais comuns da dislexia são:
desempenho inconstante, demora na aquisição da leitura e da escrita, lentidão nas tarefas de leitura e escrita, mas não orais, escrita incorreta, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas, dificuldade com os sons das palavras e, conseqüentemente, com a soletração, dificuldade de associar o som ao símbolo, dificuldade com a rima (sons iguais no final da palavra) e aliteração (sons iguais no início das palavras), discrepâncias entre as realizações acadêmicas, as habilidades lingüísticas e o potencial cognitivo, dificuldade para a organização espacial seqüencial, por exemplo, as letras do alfabeto, os meses do ano, tabuada e semelhantes dificuldades em nomear objetos, tarefas e outros. Dificuldade em organizar-se com tempo (hora), no espaço (antes e depois) e direção (direita e esquerda), dificuldade em memorizar números de telefone, mensagens, fazer anotações, ou efetuar alguma tarefa que sobrecarregue a memória imediata, dificuldade em organizar suas tarefas, dificuldade...

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