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1984 – O Grande Irmão

Trabalho enviado por: Daise das Graças Freitas Santos Freire

Data: 03/02/2005

1984 - George Orwell

O Grande Irmão zela por ti!


GUERRA É PAZ;

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO;

IGNORÂNCIA É FORÇA.

(inscrição na fachada do Ministério da Verdade)

Fazia parte da campanha de economia, preparatória da Semana do ódio. Em cada patamar, diante da porta do elevador, o cartaz da cara enorme o fitava da parede. Era uma dessas figuras cujos olhos seguem a gente por toda parte. O GRANDE IRMÃO ZELA POR TI, dizia a legenda Winston foi até a janela: uma figura miúda, frágil, a magreza do corpo apenas realçada pelo macacão azul que era o uniforme do Partido. Só importava a Polícia do Pensamento.

Por trás de Winston a voz da teletela ainda tagarelava a respeito do ferro gusa e da superação do Nono Plano Trienal. Dominavam de tal maneira a arquitetura circunjacente que do telhado da Mansão Vitória era possível avistar os quatros ao mesmo tempo. O Ministério do Amor era realmente atemorizante. Winston voltou-se abruptamente. Por um motivo qualquer, a teletela da sala fora colocada em posição fora do comum. Em vez de ser colocada, como era normal, na parede do fundo, donde poderia dominar todo o aposento, fora posta na parede mais longa, diante da janela. Sentando-se nessa alcova, e mantendo-se junto à parede, Winston conseguia ficar fora do alcance da teletela, pelo menos no que respeitava à vista. Era um livro lindo. Exceto recados curtíssimos, o normal era ditar tudo ao falascreve, o que naturalmente era impossível no caso. De nada tinha consciência excerto da brancura do papel à sua frente, a coceira acima do tornozelo, o berreiro da música e uma leve bebedeira causada pelo gim.

O Ministério da Verdade ou Miniver, em Novilíngua era completamente diferente de qualquer outro objeto visível. Era uma enorme pirâmide de alvíssimo cimento branca, erguendo-se, terraço sobre terraço, trezentos metros sobre o solo. De onde estava Winston conseguia ler, em letras elegantes colocadas na fachada, os três lemas do Partido:


GUERRA É PAZ.

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO.

IGNORÂNCIA É FORÇA.

Era um livro sem título. Possui-la-ia e a degolaria no momento do gozo. A mulherzinha do cabelo cor de areia atirara-se sobre o espaldar da cadeira que tinha à frente. Era claro que orava.

Era em parte um hino à sapiência e majestade do Grande Irmão, porém mais que isso, era auto-hipnotismo, o afogar deliberado da consciência por meio do barulho rítmico. Na vasta maioria dos casos não havia julgamento, nem notícia da prisão. Era-se abolido, aniquilado; vaporizado era o termo corriqueiro.

Parsons, esposa de um vizinho do mesmo andar. Nas paredes viam-se bandeiras escarlates da Liga da Juventude e dos Espiões, e um cartaz tamanho natural do Grande Irmão. Parsons era colega de Winston no Ministério da Verdade. Era um homem gorducho, mas ativo, de estupidez paralisante, uma massa de entusiasmo imbecil - um desses servos dedicados e absolutamente fiéis dos quais dependia a estabilidade do Partido, mais do que da Polícia do Pensamento. - Tens uma chave inglesa? - indagou Winston, apalpando a porca do sifão.

Lavou os dedos da melhor maneira possível na água fria da pia e voltou para a sala.

Winston despediu-se da Sra. A picada do estilingue não doía mais. Winston nunca conseguira ter certeza - mesmo depois do cintilar de olhares daquela manhã ainda era impossível ter certeza - da amizade ou inimizade de O'Brién. A voz da teletela fez uma pausa. Nossas forças do Sul da índia lograram uma gloriosa vitória.

Más notícias pensaram Winston. Os princípios sagrados do Ingsoc. Novilíngua, duplepensar, a mutabilidade do passado. Sentiu-se como quem vagueia nas florestas do fundo do mar, perdido num mundo monstruoso onde ele próprio era o monstro. Até do dinheiro aqueles olhos o perseguiam. O sol deslocara-se no céu e, na sombra, as miríades de janelas do Ministério da Verdade pareciam às sinistras seteiras de uma fortaleza. Ele voltou à mesa, molhou a pena e escreveu: Ao futuro ou ao passado, a uma época em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros e que não vivam sós - a uma época em que a verdade existir e o que foi feito não puder ser desfeito:

Cumprimentos da era de uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplipensar!

Ele já estava morto, refletiu. Era exatamente o tipo do pormenor que podia traí-lo. Um cabelo deposto na margem da página daria na vista. Do pai lembrava-se mais vagamente.

A dor do acesso de tosse não afugentara inteiramente do espírito de Winston a impressão produzida pelo sonho, e de certo modo os movimentos rítmicos do exercício a reavivaram. Era extraordinariamente difícil. Do acontecido antes de 1960, tudo desbotara. Pareceu-lhe também saber do que se tratava. Ele, Winston Smith, sabia que a Oceania fora aliada da Eurásia não havia senão quatro anos. Era bem simples. "Controle da realidade", chamava-se. Nas histórias do Partido, o Grande Irmão naturalmente figurava como chefe e guardião da Revolução, desde o princípio. Não era Possível saber até onde essa lenda era verdade e até onde era invenção. Winston não podia lembrar-se nem da data em que o Partido viera à luz.

Smith! Gritou da teletela a voz da megera.

Nas paredes do cubículo havia três orifícios. Winston discou "números atrasados" na teletela e pediu os exemplares correspondentes dos Times, que escorregaram da boca do tubo pneumático depois de uns minutos de espera. Winston olhou para o outro lado do corredor. O trabalho era o maior prazer na vida de Winston. O mais comum era as pessoas caídas na antipatia do Partido sumirem simplesmente, e nunca mais se ouvir falar delas. Era perfeitamente possível. Winston, todavia, já era uma impessoa. Winston resolveu que não bastaria inverter a tendência do discurso do Grande Irmão, Seria melhor focalizar um assunto completamente desligado do tema original.

Na cantina de baixo pé direito, metida nas entranhas do solo, arrastava-se devagarzinho a fila do almoço. Syme era filólogo, especialista em Novilíngua. Com efeito, fazia parte da enorme equipe de peritos empenhada na compilação da Décima Primeira Edição do dicionário da Novilíngua. - Com certeza verei no cinema.

Para se conversar direito com ele era essencial afastá-lo desses assuntos, enredando-o, se possível, nas tecnicalidades da Novilíngua, a respeito do que era interessante e bem informado. Winston e Syme empurraram as bandejas por baixo da grade. Uma tênue ansiedade perpassou pelo rosto de Winston à menção do Grande Irmão. A literatura do passado terá sido destruída, inteirinha. Está na cara.

Não era o cérebro do homem que falava, era a laringe. O que saía da boca era constituído de palavras, mas...

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