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Chanchada

Trabalho enviado por: Louise

Data: 22/04/2003

Chanchadas

Introdução

" Rio de Janeiro, anos 40 e 50.

Não era mais o Arraial da Penha que servia então de trampolim para o carnaval. Já havia, então, para esse fim, emissoras de rádio, em cujos estúdios e auditórios a folia de Momo corria solta com alguns meses de antecedência. Às telas de cinema ela também chegava – com menos antecedência, é verdade, mas pela primeira vez os rincões mais afastados do país passaram a ter acesso à imagem dos ídolos da música popular versados em sambas e marchinhas, através de filmusicais carnavalescos.

Nada de dramas atravessando o ritmo. Na passarela cinematográfica, só a alegria comandava o espetáculo. Atraindo filas e mais filas de espectadores religiosamente fiéis ao seu humor quase sempre ingênuo, às vezes malicioso e até picante, o filmusical carnavalesco impôs-se como um entretenimento de massa de singular expressividade. (…) em nenhum outro momento de sua trajetória o cinema brasileiro se relacionou tão bem e carinhosamente com o grande público como nos tempos em que Oscarito e Grande Otelo formavam uma dupla do barulho e os estúdios da Atlântida, apesar de suas notórias precariedades, eram mitificados como uma versão tropical da Metro. Seu humor mais ingênuo encantava as crianças, seu humor mais malicioso divertia os adultos, e seus interlúdios românticos e musicais fechavam o ciclo da sedução familiar".

É assim que Sérgio Augusto introduz seu livro "O Mundo é Um Pandeiro", no qual ele trata da época em que o cinema brasileiro foi mais assistido pelos próprios brasileiros. Época em que formavam-se filas enormes nas portas dos cinemas, cantavam-se as músicas que seriam sucesso no carnaval, prestigiava-se o cinema nacional. Época de grandes astros e estrelas, grandes diretores e muitas produções. Época em que a entrada do cinema era barato, e os filmes brasileiros ocupavam mais salas de cinema. Época em que parodiávamos filmes americanos e ríamos de nós mesmos. Época em que víamos nas telas um pouco da realidade social brasileira, sempre com muito bom humor. Época das chanchadas.

Este trabalho fala um pouco deste estilo cinematográfico que tanto agradou ao público e assumiu o papel de grande impulsionador do cinema nacional, do espetáculo de massas, da transformação de pessoas normais em astros internacionais e sustentáculo da indústria cinematográfica durante as décadas de quarenta e cinqüenta.

Por isso, Assim era a Atlântida, a Cinédia, a Brasil Vita Filmes, a Vera Cruz…

Conjuntura Brasileira

No início da década de 50, Vargas volta ao Poder, eleito, agora, pelo voto direto. Tentando despedir-se de sua vocação agrária, o Brasil começa a percorrer os caminhos da industrialização. Observa-se o crescimento das grandes cidades brasileiras em função desse estímulo à industrialização, provocado, também, pelo êxodo rural. Marcado pelo contexto do populismo, o Brasil da época teve certa abertura política, o que facilitou o sucesso das chanchadas, que também tiveram apoio nos decretos sancionados pelo governo brasileiro, exemplificando:

O primeiro decreto feito pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda - no Estado Novo), que obrigava as salas de exibição a programarem pelo menos um filme nacional por ano (1939);

Criação do Conselho Nacional de Cinema, que tinha como objetivo estabelecer normas para os produtores, importadores, distribuidores, propagandistas e exibidores de filmes cinematográficos, regulando as relações entre os mesmos, além de promover, regular e fiscalizar a produção, o aprimoramento, a circulação, a propaganda e a exibição das películas cinematográficas brasileiras em todo território nacional (1942);

A concessão de isenções de direitos e taxas aduaneiras para importação de material destinado à indústria cinematográfica; lei aprovada no Congresso por pressão do nascente Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica (1949);

A obrigatoriedade de uma proporção mínima de um filme nacional para cada oito estrangeiros para a programação das salas de exibição (1951).

Grandes personalidades do cenário político nacional foram por muitas vezes imitados e até criticados. Como bom exemplo podemos citar a famosa imitação feita por Oscarito de um discurso de Getúlio Vargas, no filme "Nem Sansão nem Dalila" (de Carlos Manga), o qual satiriza as manobras para um golpe populista e as tentativas de neutralizá-lo.

"Considerado pela crítica como o mais inteligente dos roteiros já escritos para uma chanchaada, o filme além de ser uma paródiia bem estruturada ao épico de Cecil B. Dde Mille "SANSÃO E DALILA" revela-se também uma sátira à condição do nosso cinema e do país. Realizado em 1953, durante o governo de Getúlio Vargas, "NEM SANSÃO NEM DALILA" é uma grande crítica ao populismo, suas alianças, ao autoritarismo e a demagogia reinante"

Mas as chanchadas também percorreram a época de outros nomes como JK, Jânio Quadros e João Goulart (já em seu final), num momento que pode ser caracterizado como de turbulência política.

A industrialização nascente estimulou o surgimento das grandes cidades, provocado também pelo forte êxodo rural. Estas cidades são retratadas nos enredos das chanchadas, que mostravam com vivacidade e humor os problemas urbanos que se formavam, principalmente aqueles relacionados às classes mais baixas.

De um modo geral, podemos dizer que as chanchadas formam o retrato de um país em transição, abdicando dos valores de uma sociedade pré-industrial e ingressando na vertiginosa ciranda da sociedade de consumo, cujo modelo teria num novo meio, a TV, o seu grande sustentáculo.

O que eram as chanchadas

"Nome geral que se dá a todas as comédias, inclusive musicais, de "apelo" popular", disse Jean Claude Bernardet. "Comédia popular com interpolações musicais", segundo Alex Viany, ou ainda "Peça teatral sem valor, destinada apenas a produzir gargalhadas; qualquer espetáculo teatral de pouco ou nenhum valor", define o Grande Dicionário Enciclopédico Ilustrado Solar. Inúmeras são as definições para os "filmusicais" feitos no Brasil entre 1930 e 1960, mas seja qual for a adotada, o incontestável é que as chanchadas constituíram um momento único da cinematografia brasileira, quando multidões eram atraídas pelo nosso cinema, garantindo a sobrevivência industrial desta arte no país.

O primeiro estúdio de cinema brasileiro foi a Cinédia. Nascida em 1930, espelhava-se no modelo hollywoodiano. Adhemar Gonzaga, fundador da companhia, chegou a viajar para Hollywood para pesquisar as técnicas do cinema falado. Já em 1933 utilizou a câmara na mão, primeiros planos e escurecimento da...

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